domingo, 15 de agosto de 2010

Entrevista para COEP como coordenadora do Escola em Ação para a EEEF Estado do Rio Grande do Sul

http://www.escolaemacao.org.br/publico/ApresentarConteudo.aspx?TP=2&CODIGO=C2010813212153359
Escola do RS põe preservação em prática

[13/08/2010]
Preservação do meio ambiente e desenvolvimento de atitudes conscientes. Incentivando estas práticas, a Escola Estado do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre (RS), tem buscado mobilizar seus alunos para as questões do Planeta. Através de iniciativas simples, debates e ações dentro da sala de aula, os resultados já podem ser verificados no cotidiano da comunidade escolar. ”Devemos primeiro mudar nossos hábitos e atitudes. É mais do que conscientizar sobre o lixo, reciclagem e datas comemorativas. Trata-se de trabalhar situações que possibilitem que a comunidade escolar pense em propostas de intervenção na realidade que a cerca”, afirma, nesta entrevista, a coordenadora da unidade, Marilise Duarte Scherer Aroni.
A troca de aprendizado, entretanto, não fica só na escola; muitas famílias já têm compartilhado as lições. “Nos sentimos gratificados sempre que, através de simples conversas entre alunos ou alunos e professores, ficamos sabendo que nossas ações se fizeram presentes nos lares da nossa comunidade que alcançam não só o entorno, mas também locais distantes da nossa Região Metropolitana“, complementa a coordenadora.
Escola em Ação - Qual a faixa etária dos alunos da escola? A maior parte deles reside na região?
R.: A escola está localizada no Centro da cidade de Porto Alegre, recebendo alunos de seis a dezessete anos de idade, e de vários bairros da Região Metropolitana, já que se trata de um local de fácil acesso. Muitos pais ou responsáveis, ao se deslocarem para o trabalho, acompanham seus filhos até a escola. A classe social dos estudantes que frequentam nossa unidade é bem diversificada. Atendemos tanto crianças da Vila de Papeleiros (comunidade de baixa renda), que fica a cerca de três quadras da escola, bem como filhos da classe operária, de trabalhadores do comércio, e alunos de classe média.
Escola em Ação – Quando começou o engajamento da escola em atividades voltadas ao meio ambiente?
R.: Ocorreu através de convite, via e-mail, feito pelo Projeto Escola em Ação ao corpo diretivo da escola e coube a mim a coordenação desta jornada. Após reunião com professores e funcionários, nos identificamos como equipe participante sob o nome “Gaúchos em ação”.
Escola em Ação - Como foi a preparação dos alunos para estas atividades?
R.: A partir da reunião na qual estive presente com os professores e o corpo diretivo, realizamos visitas a todas as salas de aula para comunicar nossas propostas e necessidades ao longo da Jornada, bem como para levantar dados sobre ações já desenvolvidas por alunos em seus lares e comunidades. Além disso, procuramos avaliar a compreensão dos temas abordados de modo a possibilitar melhor execução da proposta. Os professores tiveram a preocupação de contemplar questões relacionadas à faixa etária, ao meio em que o aluno está inserido, de forma participativa, sendo capaz de estabelecer relações de interagir, transformar, reelaborar e agir no meio em que vive. Diante disto, a escola realizou pesquisas, debates com os alunos e comunitários, investigando suas preocupações, necessidades e anseios.
Escola em Ação - Quais as ações desenvolvidas em sala de aula?
R.: O currículo por atividade e séries finais incentivou e promoveu o trabalho coletivo e a cooperação entre os alunos e os professores, entre a escola e a comunidade. Possibilitou a construção da consciência ecológica para este mundo diferente e transformador, observou e analisou fatos para garantir um meio ambiente saudável. Foram realizadas atividades envolvendo a importância da água, através de debates e vídeos. Os alunos plantaram, preservaram e recuperaram áreas verdes na escola, elaboraram murais, textos e participaram de visitação ao Departamento Municipal de Água e Esgotos (DMAE).
Escola em Ação – Outras atividades voltadas à conscientização do uso racional da água foram postas em prática?
R.: Além da visita ao DMAE, os alunos assistiram a vídeos, realizaram brincadeiras, leituras, debates, campanhas para uso correto dos banheiros da escola e atitudes de higiene em momentos como a preparação para o lanche, buscando a conscientização e a formação de indivíduos com senso crítico para mudanças comportamentais com relação ao valor da “Água”. Tudo isso se refletiu no cotidiano da escola: torneiras passaram a ser fechadas adequadamente; garrafas de água para uso pessoal deixaram de ser instrumento de brincadeiras e desperdício de água; alunos passaram a ter nova postura, com relação à higiene, após aulas de Educação Física, enfim, são pequenas atitudes que têm grande valor no dia a dia e contribuem também para a conscientização dos alunos sobre a importância da água para manter a vida no Planeta.
Escola em Ação - Houve algum projeto e/ou ação voltada à reciclagem?
R.: Conscientizamos os alunos para a necessidade de pensar no problema do lixo, nas formas de coleta e destino, na reciclagem (a responsabilidade de cada indivíduo desde a produção e destino dos diversos materiais) na escola, em casa e em espaços comuns. Por ser uma escola pequena e com poucos espaços livres, optamos pela colocação dos diferentes coletores de materiais reciclados, com suas cores específicas, no espaço de recreação de nossos alunos e adotamos um coletor de pilhas/baterias usadas próximo à Secretaria da Escola, trocado periodicamente.

Quando nosso coletor está cheio, levamos a uma instituição credenciada para receber este tipo de material. O detalhe é que o coletor de pilhas e baterias é feito de garrafa pet de água mineral de 5 litros, demonstrando que podemos dar um novo fim a este tipo de material após o uso do seu conteúdo. Já em sala de aula, a lixeira de uso exclusivo para recolher materiais usados, a exemplo do papel, tem nos mostrado que, após este processo de conscientização, nossos alunos estão colocando em prática seus conhecimentos e reduziram significativamente o lixo produzido.
Escola em Ação – Qual a importância destas ações no ambiente escolar? opinião?
R.: Observamos a necessidade de mostrar que o equilíbrio da natureza é essencial para a vida na Terra. Atualmente, a preocupação com a degradação do Planeta ocupa a atenção da sociedade local e mundial. A educação ambiental é um processo longo e contínuo, e mudar isso não é uma tarefa fácil. Devemos primeiro mudar nossos hábitos e atitudes. É mais do que conscientizar sobre o lixo, reciclagem e datas comemorativas. Trata-se de trabalhar situações que possibilitem que a comunidade escolar pense em propostas de intervenção na realidade que a cerca.
Nos sentimos gratificados sempre que, através de simples conversas entre alunos ou alunos e professores, ficamos sabendo que nossas ações se fizeram presentes nos lares da nossa comunidade que alcançam não só nosso entorno, mas também locais distantes.
Escola em Ação - Antes do desenvolvimento destes projetos, como era o comportamento das crianças diante das questões de preservação?
R.: Os alunos expressavam ideias positivas quanto à preservação e conservação dos ambientes naturais. Entretanto, suas atitudes, muitas vezes, eram o inverso de suas falas. Por exemplo: "todos devem cuidar dos jardins da escola", mas isso não impedia que certas crianças retirassem flores ou folhas das plantas. Agora há maior participação dos alunos, pois compreendem que também são responsáveis. Eles reagem com um sentimento de gosto e interesse. A capacitação dos alunos para plantar, preservar e recuperar áreas verdes na escola e na comunidade, visando formar cidadãos que interagem e participem de forma ativa na recuperação do meio ambiente, foi de suma importância.
Escola em Ação - Quais as próximas ações a serem desenvolvidas pela escola?
R.: Tendo em vista à biodiversidade e o papel do homem na manutenção do seu entorno (micro) e no planeta (macroambiente), para este segundo semestre estamos preparando uma visita ao Museu de Ciência e Tecnologia da Pontifícia Universidade do Rio Grande do Sul (PUC/RS) e ao depósito de reciclagem. Além disto, pretendemos desenvolver as matérias curriculares focando as problemáticas da cidade de Porto Alegre e do lago Guaíba (contextualização dos planos curriculares e necessidades dos alunos cidadãos) em assuntos como movimento e energia (Parque Eólico de Osório, Termoelétricas de Charqueadas, Candiota e Bagé – unidades regionais para obtenção de energia para uso humano – energias não poluentes e poluentes do ar), água e ar, plantas (condições do solo, produção e oferta de alimentos). A decomposição de materiais, como embalagens, também será abordada.
Escola em Ação - Como a senhora avalia o papel da Jornada das Escolas no estímulo à prática de ações voltadas ao meio ambiente e à troca de experiências entre alunos de todo o pais?
R.: A Jornada das Escolas é um meio de troca de ideias, experiências e ações em que fica bem claro que não importa se o espaço físico dentro da escola é pequeno ou grande, se a ação parece ser simples, se o tempo é exíguo ou não, pois são os indivíduos os atores de suas próprias histórias de vida, que bem orientados, fazem a diferença no cotidiano de nossa sociedade. A valorização da vida, integrando homem e natureza, assegura a preservação do meio ambiente, pois mudanças de atitudes no cotidiano favorecem a reflexão sobre a responsabilidade ética na nossa espécie, tanto nas relações presentes em nossa sociedade, quanto na possibilidade de garantirmos a sustentabilidade de todas as vidas do nosso planeta hoje e no futuro.